Como é a introdução alimentar para bebês com fissura labiopalatina?

Foto: Luiza Pannunzio

Chamamos de complementares, todos os alimentos que oferecemos aos bebês que não seja o leite iojaterno ou as fórmulas lácteas em pó. Sua introdução deve se iniciar aos 6 meses de idade para TODOS OS BEBÊS, com fissura labiopalatina ou não, porque apenas o leite, seja materno ou fórmula, já não dá conta das necessidades nutricionais, a partir desta idade. Daí a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial de Saúde terem feito esta recomendação de modo a não sobrecarregar o aparelho digestivo e manter o crescimento e desenvolvimento saudáveis do seu bebê.

Chegou a hora da comidinha!!!

Muita calma nesta hora…nada de pressa!! Mas… muita persistência!!!

A partir do 6º mês o bebê está prontinho para descobrir novos sabores e explorar com as mãozinhas as texturas e também para aprender a mastigar.

Então os alimentos devem ser oferecidos separadamente, sabor, por sabor.

Estimule a pegar com as mãos e deixe a bagunça rolar. Não fique tensa…um pouquinho de água e sabão limpa tudo e seu amado filhinho terá um aprendizado nutricional tão importante que influenciará sua saúde pelo resto da vida. Estará também treinando sua musculatura facial o que ajudará na fala!!!

Comece com alimentos bem cozidos, amassadinhos, raspadinhos ou cremosos e, aos poucos vá evoluindo para pedacinhos maiores, de modo que, próximo a 1 ano de idade, seu filho já esteja cortando pedaços com os dentinhos e mastigando. Evite bater no liquidificador!!

Fonte: robertocooper.com

Fonte: menudobebe.blogspot.com

 

 

 

 

Aos 6 meses de vida iniciamos o ALMOÇO com cereais, legumes e caldo de carne. Comece com 3 colheres de sopa e vá aumentando aos poucos. Ofereça fruta de sobremesa.

 

Aos 7 meses, iniciamos o JANTAR nos moldes do almoço.

 

Com 8 meses, as leguminosas podem ser introduzidas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico). Comece com 1 colher de sopa e aumente devagarzinho pois podem dar gases.

 

 

O ALMOÇO e o JANTAR devem conter:

 

Alimentos energéticos (ricos em carboidratos que fornecem energia para o organismo do bebê): arroz integral, aveia, batata, batata-doce, cará, farelo de cereais, farinha de mandioca, fubá, inhame, macarrão integral, mandioca, mandioquinha, milho verde.

 

Alimentos construtores (ricos em proteínas vegetal e animal, responsáveis pelo crescimento do bebê): carnes de gado, de frango, miúdos de gado e de frango (coração, moela, fígado, miolo, etc), peru, peixe (cuidado com a espinha!), feijões, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico e ovos (galinha, pata, codorna)

 

Alimentos reguladores (vitaminas e sais minerais que auxiliam no desenvolvimento imunológico, neurológico e cerebral; na formação de enzimas e hormônios; no crescimento ósseo, etc.):

  • verduras e legumes: abóbora, abobrinha, acelga, agrião, alface, almeirão, berinjela, bertalha, beterraba, brócolis, cambuquira (rama da abóbora), cenoura, chuchu, couve, couve-flor, escarola, espinafre, folhas de beterraba, folhas de cenoura, jiló, quiabo, repolho, rúcula, etc.
  • frutas (abacate, abacaxi, açaí, acerola, ameixa, amora, banana maçã, banana nanica, banana ouro, banana prata, cajá, caju, caqui, carambola, goiaba, jaca, jenipapo, kiwi,laranja lima, laranja pêra, maçã, mamão, manga, mangaba, melancia, melão, mexerica, murgote, nectarina, pêssego, pêra, tangerina, uva, etc.

 

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES:

 

  1. Coloque 1 ou mais alimentos de cada grupo nutricional no almoço e no jantar.
  2. Use a criatividade e fará combinações incríveis!!
  3. Não limite seu filho ao “seu” paladar…ofereça de tudo…isto é um aprendizado!
  4. Inicie o ovo, bem cozido, oferecendo ¼ da gema e aumentando aos poucos (3-4 dias) até estar oferecendo o ovo inteiro, sempre bem cozido. Fonte de proteínas, vitaminas e Cálcio que atuam no crescimento infantil, é rico em em ácidos DHA e ARA que auxiliam o desenvolvimento dos sistemas nervoso e cerebral do bebê.
  5. Se possível, não ofereça sal nem açúcar! Não precisamos predispor o bebê à pressão alta e diabetes, não é?
  6. Óleos vegetais (milho, canola, girassol, soja), só em pequenas quantidades. O azeite de oliva extra-virgem é o melhor de todos, pois contém compostos antioxidantes que beneficiam o coração e compostos fenólicos que evitam o envelhecimento da célula.
  7. Mel, após 1 ano de idade pois pode estar contaminado com a bactéria Clrostidium botulinum que transmite o botulismo, doença que paralisa nervos e músculos. Claro que é raro de acontecer, mas, como o sistema nervoso do bebê ainda é imaturo, melhor prevenir!!!
  8. Temperos??? Só os naturais como cebola, alho, salsinha, etc., pois são de fácil digestão e fonte de vitamina A, vitamina B1, vitamina B2, vitamina C, Vitamina D, cálcio, enxofre, ferro, fósforo, magnésio, potássio, etc.
  9. Evite os sucos de frutas! Ofereça a fruta! Os sucos geralmente têm alto índice glicêmico que pode predispor a criança ao diabetes. Além disto, são pobres em fibras.
  10. Ofereça um alimento novo por vez, assim, seu bebê será estimulado a brincar e explorar sabores e texturas, relacionando o sabor de cada alimento à sua aparência.
  11. As frutas cítricas (abacaxi, acerola, ameixa preta ou vermelha, kiwi, laranja, mexerica, morgote, poncã, etc.) devem ser oferecidas após o almoço e jantar para ajudar na absorção do ferro dos outros alimentos e evitar anemia.
  12. Não ofereça alimentos industrializados como bolachas, refrigerantes, salgadinhos, sucos de pozinho ou garrafinha, frituras, sorvetes, doces, etc. Possuem muito sal, açúcar e/ou gorduras hidrogenadas. Só fazem mal à saúde!
  13. O aparelho digestivo do bebê vai estar se adaptando à introdução destes novos alimentos, aos poucos. Se seu bebê apresentar gases, reações alérgicas na pele ou alteração do funcionamento intestinal, suspenda o alimento e procure seu pediatra.

 

 

“Nutrir uma criança com fissura labiopalatina não é tarefa difícil, traduzindo-se em experiência gratificante quando se observa a surpreendente capacidade de adaptação destas, desde as idades mais precoces” (Suely Prieto de Barros)

 DÚVIDAS????… Comente no post e assim continuamos nossa conversa!!!!!

 

Dra Suely Prieto de Barros

Nutricionista HRAC/USP

CRN3- 1387

TRATAMENTO DA FISSURA LABIOPALATINA – USO DO MODELADOR NASAL EXTERNO E FITA ELÁSTICA NO LÁBIO

Muitas foram as dúvidas que surgiram após a veiculação da matéria sobre o uso do modelador nasal externo e da fita elástica no tratamento da fissura labiopalatina, no Programa Bem Estar da Rede Globo de televisão. Assim, as doutoras Daniela Tanikawa e Daniela Bueno gentilmente se prontificaram a responder as perguntas das mães.

Nosso muito obrigado à elas, pela disponibilidade para estes esclarecimentos!

As Fissuradas – Toda criança pode usar o modelador nasal (MN), ou somente se colocado no recém-nascido?

Doutoras – Usar o modelador nasal externo com a fita elástica no lábio é um tipo de tratamento que remodela o formato da cartilagem do nariz e diminui o tamanho da fissura alveolar (que é a fenda na gengiva). Ocorre como resultado dos hormônios maternos que ainda se encontram circulantes no bebê recém-nascido. Por isso, o efeito máximo deste tipo de remodelamento nasoalveolar é obtido na criança com até 1 mês de vida. No entanto, em bebês com até 2 meses de idade ainda sim é possível a obtenção de bons resultados. A partir dos 3 meses já não vale a pena, os resultados são muito pobres.

As Fissuradas – Toda criança tem benefícios com o MN, independente das características da fissura?

Doutoras – O modelador nasal externo é indicado nos casos de fissuras completas uni ou bilaterais de lábio e em casos de fissuras incompletas bilaterais de lábio. Nas fissuras incompletas unilaterais de lábio seu uso não é necessário.

As Fissuradas – Posso comprar e colar qualquer bandagem na fissura do meu bebê sem conversar previamente com meu médico?

Doutoras – Não. A colocação da fita elástica no lábio é feita com base em princípios anatômicos. Além disto, existem uma série de recomendações para a proteção da pele frágil do bebê e assim sendo, seu uso indiscriminado pode resultar em efeitos adversos e algumas complicações. Por isso, deve ser sempre acompanhada por profissionais experientes neste tipo de tratamento pré-cirúrgico.

As Fissuradas – Com o MN a criança ainda precisará da cirurgia do lábio?

Doutoras – Sim. Remodelamento nasoalveolar, independentemente de como é feito, é sempre um tipo de tratamento pré-cirúrgico. Seu objetivo maior é otimizar os resultados estéticos obtidos com a cirurgia. Não pode de forma alguma substituí-la.

Nas fissuras unilaterais completas a forma da cartilagem do nariz no lado fissurado está distorcida, e em vez de ser convexa está espiralada (Fig. 1). A cartilagem é como uma mola de sustentação e por isso é ela quem determina o formato do nariz como um todo. Na cirurgia, sempre coloca-se e tenta-se manter a cartilagem no seu local correto mas muitas vezes, após 1 ou 2 meses, o nariz que parecia ter sido corrigido volta a entortar porque sua mola é mais forte. Assim, quando remodelamos o seu formato antes da cirurgia, diminuímos as chances disto acontecer após o tratamento cirúrgico.

fig1-fissuras-unilaterais-completas-a-forma-da-cartilagem-do-nariz-no-lado-fissurado-esta-distorcida

Fig.1

Nas fissuras bilaterais, a columela é muito encurtada e as cartilagens da ponta do nariz encontram-se muito afastadas uma da outra (Fig. 2). Por isso, o bebê com fissura bilateral do lábio tem um nariz baixo, largo e “amassado”. Além disso, a pré-maxila pode estar muito projetada para cima (Fig. 3) e nestes casos, o tratamento cirúrgico ocorre em 2 ou 3 etapas, aos 3-6 meses e depois dos 3 anos de idade. Mas, com o remodelamento nasoalveolar, pode-se trazer a pré-maxila para baixo e esticar e aumentar o tamanho da columela. Neste caso, pode-se então realizar somente 1 cirurgia aos 6 meses de idade.

fig2-fissuras-bilaterais-a-columela-e-muito-encurtada-e-as-cartilagens-da-ponta-do-nariz-encontram-se-muito-afastadas-uma-da-outra                                 fig3-fissura-bilateral-a-pre-maxila-pode-estar-muito-projetada-para-cima-jpg

Fig.2                                                                        Fig. 3

As Fissuradas – Como posso fazer o agendamento?

Doutoras – Atendimento SUS – Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (São Paulo/SP)

Fone: 08001021212 (Programa Alô Mãe)

Atendimento Particular Conjunto – Hospital Sírio-Libanês (São Paulo/SP)

Dra Daniela Tanikawa (Cirurgia Plástica) e

Dra Daniela Bueno (Odontologia e Genética)

Fone: (11) 3394-5007

Sobre as especialistas:

Dra Daniela Tanikawa, Médica Cirurgiã Plástica, Doutora em Ciências (FMUSP), “International Scholar” pela Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e Cirurgia Craniomaxilofacial (ASMS). Atualmente é Pesquisadora do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, Membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio-Libanês, Médica Assistente da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da FMUSP e Médica Assistente do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, onde atua como Cirurgiã Plástica na Equipe Multidisciplinar de Atendimento à Pacientes com Fissuras Lábio Palatinas.

Dra Daniela Bueno, Cirurgiã Dentista, Doutora em Genética Humana (IB -USP), Pós-Doutora em Genética Humana e Células-Tronco (IB-USP e UCLA, Los Angeles,USA). Atualmente é Pesquisadora do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, Membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio-Libanês e Membro do Corpo Clínico do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, onde atua como Cirurgiã Dentista e faz Aconselhamento Genético na Equipe Multidisciplinar de Atendimento à Pacientes com Fissuras Lábio Palatinas.

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Aleitamento materno ordenhado – Dicas de uma mãe que manteve a ordenha nos primeiros 12 meses de seu filho

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Meu nome é Maria Cristina, tenho 39 anos e sou mãe do Luis Henrique, que nasceu em outubro de 2015 com fissura lábio-palatina unilateral completa à esquerda. Recebemos o diagnóstico da fissura labial ao fazermos um ultrassom com 18 semanas de gestação, e tivemos a confirmação de fenda do palato com 32 semanas, em um ultrassom 4D.

Chorei muito quando recebi a notícia da fissura, uma semana antes do meu casamento. Luis Henrique é o nosso primeiro bebê, muito amado e desejado, e eu tinha todos os sonhos de mãe de primeira viagem, queria muito poder amamentar no seio. Até o dia do diagnóstico que confirmou a fenda, eu rezava desesperadamente todos os dias para que a fissura se restringisse somente ao lábio. Mas Deus tinha outros planos para nós…

Eu queria muito poder amamentar meu filho, e como não foi possível, resolvi tirar meu leite com bomba para poder dar a ele. Por causa da fenda, ele já havia perdido a incrível conexão do aleitamento no peito, e eu queria que ele pudesse receber os benefícios do leite materno.

Tem sido uma longa jornada, já se foram 11 meses e 20 dias tirando leite com bomba elétrica, e como encontrei muito pouca informação em português (livros, comunidades e blogs sobre o tema são todos em inglês), resolvi escrever este texto sobre como extrair leite materno com bomba, na esperança de poder ajudar outras mães na mesma situação.

Comecei a tirar leite com bomba elétrica no banco de leite do hospital. Antes de o Luis Henrique nascer, já haviam me adiantado que as chances de ele mamar no seio seriam praticamente nulas, mas eu me apegava à esperança de um milagre. Talvez se tivesse me preparado melhor antes, teria conseguido produzir mais leite (nunca conseguir tirar o total de que ele precisava por dia, mas sempre acreditei que um pouco de leite materno é melhor do que nada). Alguns diziam para eu tirar leite com a bomba, mas que logo secaria porque a bomba não estimula tanto a produção de leite como a sucção do bebê.

Bom, após muito ler e participar de uma comunidade no Facebook intitulada “Exclusively Pumping for Cleft Cuties” (tradução livre: Bombeando leite exclusivamente para lindinhos fissurados), descobri que sim, é possível tirar leite com bomba por longos períodos (em alguns casos, 2 anos ou mais), e que algumas mulheres conseguem tirar até 2,5l de leite por dia, doando o excedente ou congelando para fazer um estoque.

Nota: Exclusively Pumping ou EPing é o termo em inglês utilizado para designar as mulheres que tiram leite com bomba e não amamentam no seio, pelas mais diversas razões: fissuras de palato, dificuldade de pega, prematuros que foram alimentados por muito tempo com sonda, etc. São mães e mulheres guerreiras que assumem o compromisso de tirar leite para seus filhos porque preferem dar leite materno a usar fórmulas artificiais.

E como isso é possível?

Seguem aqui as principais dicas que compilei:

  1. Quanto antes você se preparar, melhor.

Se receber um diagnóstico na gestação sobre possíveis impedimentos na amamentação no seio, conheça suas alternativas: tipos de bombas, valores, tempo que você passará tirando leite, etc.

  1. Comece cedo

Assim como na amamentação no seio, quanto antes for iniciado o bombeamento, maior o estímulo na fase em que os hormônios que estimulam a lactação estão em alta, melhor será a tendência de produzir bastante leite ao longo do tempo. Mesmo que o bebê não consiga pegar o peito, a estimulação do contato da língua dele no seio já na sala de parto é muito poderosa. Se a maternidade tiver banco de leite, procure logo que puder andar. A maternidade onde dei a luz tinha banco de leite, mas eu não recebi orientação de ir ordenhar, e só iniciei a extração no 2o. dia após o parto, por iniciativa minha.

  1. Dê preferência a bomba elétrica de extração dupla

Para quem quer tirar leite materno por bastante tempo, uma boa bomba elétrica de extração dupla é fundamental. Tirar leite consome muito tempo da rotina diária, então tirar leite das duas mamas ao mesmo tempo torna-se uma questão de sobrevivência. No hospital eu usei uma bomba da Medela, a Lactina Select, e quando fui para casa aluguei uma bomba menor, chamada Pump In Style Advanced, também da Medela, nos primeiros meses. Depois pedi para um amigo trazer essa mesma bomba dos Estados Unidos, pois esses itens são bem mais baratos lá. Um parênteses: nos Estados Unidos os seguros-saúde pagam o aluguel de bombas hospitalares em casos de necessidade médica, como os de bebês que nascem com fissuras. Por isso as mães lá contam com excelentes opções para tirar leite materno. Ainda estamos muito longe disso por aqui… Um detalhe importante: a maioria das bombas compradas nos EUA são 110 V. Para usar em cidades com voltagem de 220 V o melhor é comprar uma fonte bivolt, pois o motor da bomba perde potência de sucção se usado com um transformador normal (eu aprendi isso a duras penas, quase tive uma mastite).

Captura de Tela 2017-02-07 às 00.49.00.png

Bomba Lactina Select da Medela Bomba Pump In Stle Advanced (PISA)da Medela

Acessórios fundamentais:

Um sutiã ou bustiê que deixe as mãos livres mantém a sanidade mental. O bustiê mantêm os extratores no lugar, deixando suas mãos livres para ninar o bebê, dar mamadeira, checar seus e-mails ou, como no meu caso, massagear as mamas para maximizar a extração de leite. Existem produtos específicos no mercado (eu tenho esse da foto), mas muita mulheres fazem uma versão caseira recortando tops de ginástica justos, e funciona bem.

Captura de Tela 2017-02-07 às 00.50.28.png            Sutiã “Hands free pumping bra

  1. Ter mais de um par de kit extrator também é muito útil, principalmente no começo, em que se recomenda bombear de 8 a 10 vezes por dia!
  2. Tenha também mais membranas de reposição, pois as membranas se desgastam com o tempo.
  3. Garrafas plásticas para a coleta de leite (150 e 240 mL): essa dica é relevante. No começo eu usava frascos de vidro que vinham com o kit extrator da loja onde aluguei a bomba, mas os frascos eram pesados e acabavam diminuindo minha produção de leite. No fim passei a usar as garrafas plásticas da mamadeira, que se acoplavam diretamente no kit extrator, e funcionou muito bem. Se você tiver muito leite, vale a pena comprar garrafas de 8oz (240 mL), para evitar ter de trocar a garrafa no meio da ordenha.
  4. Esterilizador de mamadeira de micro-ondas: para esterilizar o material da coleta de leite, muito mais rápido que ferver na panela, além de mais seguro (evita queimaduras) – importante: antes do 1o. uso, lavar as peças e esterilizar em água fervente.
  5. Lubrificante: pelo menos no início, até os mamilos se acostumarem com a sucção da bomba, usar um lubrificante (lanolina ou óleo de côco traz mais conforto no momento da ordenha).
  6. Com que frequência tirar leite e por quanto tempo: aqui vai a parte mais dura da jornada, o início… Para se estabelecer uma boa produção de leite ao longo do tempo, o ideal nas primeiras 12 semanas após parto é bombear de 8 a 10 vezes, ou seja, no máximo a cada 3 h do dia, inclusive de madrugada. Aliás, de madrugada o corpo produz mais prolactina, hormônio responsável pela produção de leite. Bombear 2 vezes de madrugada, entre 1 e 5 da manhã, ajudará bastante no estabelecimento de uma produção robusta de leite. (Eu só fui descobrir tudo isso com 13 semanas pós-parto, no começo eu só conseguia tirar leite 3 vezes por dia, e nunca em horários fixos, pois ainda estava em livre demanda, sempre complementei com fórmula. Fui aumentando a quantidade até chegar a 5 por dia, que era o factível para minha rotina). Cada ordenha deve durar no mínimo de 15 a 20 minutos, e deve-se ordenhar por mais 5 minutos após a última gota de leite sair. Algumas vezes ocorre mais de uma descida de leite por ordenha, pois a oxitocina, hormônio responsável pela descida do leite, é liberado em ondas, então é bom ordenhar por esse período adicional de 5 minutos, pois pode sair um pouco mais de leite. Recomenda-se um mínimo de 120 minutos de ordenha por dia nessas 12 primeiras semanas. A quantidade de ordenhas no início é muito importante, pois simula a demanda do bebê: 4 ordenhas de 30 minutos no dia não estimulam tanto a produção de leite quanto 8 ordenhas de 15 minutos. São essas semanas que definirão a quantidade de leite que será produzida nos próximos meses. É importante tirar leite até o esvaziamento das mamas, pois deixar leite na mama pode causar entupimento de ductos lactíferos, que ficam doloridos, além de diminuir a produção de leite.

Calma, antes de pensar em desistir por causa das 12 primeiras semanas, após esse período, é possível ir reduzindo o número de ordenhas gradativamente depois que a produção de leite estiver estabelecida. O intervalo entre a redução do número de ordenhas (1 mês, 2 meses) dependerá do seu objetivo final (6 meses, 1 ano, 2 anos). Depois que a produção de leite estiver consolidada, ao reduzir uma ordenha por dia (aumentado o espaçamento de tempo entre uma ordenha e outra), perde-se um pouco de volume 30 mL, 60 mL – varia de mulher para mulher, mas depois que o bebê passa a comer sólidos a quantidade de leite que o bebê ingere por dia tende a diminuir).

Sugestão de cronograma de ordenhas para quem pretende tirar leite por 1 ano (Fonte: Pinterest, adaptado):
8 ordenhas/dia (até 3 meses) 7, 10, 13, 16, 19, 22, 1 e 4 h
7 ordenhas/dia (4o mês) 6, 9, 12, 15, 18, 22, 2h
6 ordenhas/dia (5o e 6o mês) 7, 10, 14, 18, 22, 2h
5 ordenhas/dia (7o e 8o mês) 6, 10, 14, 19, 22:30h
4 ordenhas/dia (9o mês) 6, 11, 16, 21h
3 ordenhas/dia (10o mês) 6, 13, e 21h
2 ordenhas/dia (11o mês) 7, 19 h
1 ordenha/dia (12o mês) 6h

Esses horários podem ser alterados para melhor encaixe da rotina da família como um todo. No meu caso, quando saí de 4 ordenhas para 3 por dia, o volume de leite caiu bastante. Se seu objetivo for dar leite materno por mais de um ano, minha sugestão é continuar com 4 ordenhas até 1 mês antes da data estabelecida para o “desmame”. Quando os dentinhos do meu baby começaram a nascer, tive de reduzir o número de ordenhas, pois ele acordava muito durante as sonecas, que era o meu horário mais tranquilo para ordenhar…

  1. Estabeleça uma meta: 1 mês, 6 meses, 1 ano…. Eu inicialmente queria dar leite materno até os 2 anos, para seguir a recomendação da Organização Mundial de Saúde. Estou com 11 meses, minha produção de leite está baixa, estou lutando para completar 1 ano. Seria ótimo tirar leite até passar a cirurgia do palato (com 18 meses), pois o leite materno ajuda na recuperação (percebi isso com a primeira cirurgia, aos 5 meses). Ter um objetivo quantificável ajuda a atravessar os momentos mais difíceis (sim, dá muita vontade de desistir, principalmente no começo). Como dizem no grupo do Facebook: nunca desista em um dia ruim. Avalie seu objetivo, sua situação e cansaço, e verifique o que pode ser ajustado. Eu tentei uma época tirar leite 6 vezes por dia, ficava muito cansada, então reduzi para 5 e me permiti dormir um pouco mais, e ser uma mãe mais calma e paciente para o meu filho por estar mais descansada.
  1. O bebê pode ajudar! O contato pele a pele, o toque da língua do bebê no mamilo estimula a produção e a descida do leite. Quando for dar a mamadeira com o leite, você pode levar o bebê ao seio antes (ou depois também, o que funcionar melhor para vocês). Os americanos chamam esse contato de “comfort sucking”, sucção para conforto do bebê. Eu consegui fazer isso nos 2 primeiros meses, depois meu bebê já não queria mais nada com meus mamilos, mas eu dava a mamadeira com o rostinho dele bem encostado no meu seio, e isso ajuda também.
  1. Use as mãos (hands on pumping): como eu produzia pouco leite, tentava extrair o máximo em cada ordenha. Descobri que massagear as mamas, antes e durante a ordenha, ajuda a aumentar o volume coletado. Segue o link de um vídeo produzido pelo grupo de pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que ensina como massagear as mamas durante a ordenha:

http://med.stanford.edu/newborns/professional-education/breastfeeding/maximizing-milk-production.html

  1. Algumas técnicas para aumentar a produção de leite usando a bomba:

– Power pump: ordenhar até esvaziar a mama, pausar por 10 minutos, ordenhar 10 minutos, pausar 10 minutos, ordenhar 10 minutos. Ajuda a aumentar a produção de leite nas ordenhas seguintes

Pumpathon”, a maratona da ordenha: recomendo fazer em um fim de semana, quando marido e parentes podem ajudar, cuidando do bebê. Ordenhar a cada 2 horas por 24 h, ajuda a aumentar a produção de leite nos dias seguintes. É exaustivo, eu só consegui fazer uma vez.

Cluster pumping: ordenhar a cada meia hora, por meio período (por exemplo, 6 h no total). Funciona como uma mini-pumpathon.

10. Teste o leite congelado: se você pretende congelar leite em grandes volumes, é bom testar se o seu bebê aceita tomar leite que foi congelado. Algumas mulheres produzem em grande quantidade uma enzima chamada lipase, que hidrolisa a gordura do leite, alterando o sabor do mesmo. Alguns bebês não aceitam bem leite que foi congelado por essa razão. Se esse for seu caso, você pode “escaldar” o leite antes de congelar: colocar o leite ordenhado numa panela limpa, aquecer mexendo suavemente até formar bolhas na borda da panela, resfriar rápido (por exemplo, colocar a panela num banho de gelo) e colocar nos recipiente em que você vai congelar. Esse procedimento eu peguei de posts na comunidade “Exclusively Pumping for Cleft Cuties” no Facebook. Pessoalmente eu nunca usei porque não produzia muito leite, mas uma amiga passou a fazer antes de congelar leite e o filho dela que não tomava leite congelado, passou a aceitar bem.

  1. Apoio do marido, do parceiro(a), da família: ordenhar leite toma muito tempo, e também gera uma quantidade de “louça” enorme para lavar: garrafas coletoras, kits extratores… Apoio moral (entender que você estará extremamente ocupada nos primeiros meses com o bebê e com a ordenha) e apoio prático (dar mamadeira, ajudar a lavar louça) contribuirão em muito como sucesso da jornada. Eu sentei com meu marido no início, explicando o quão importante para mim era esse processo, o quanto queria muito dar leite materno para nosso bebê, para que ele recebesse todos os benefícios de saúde e crescesse forte e saudável, e que isso era uma forma emocional de eu compensar a falta de aleitamento materno direto no seio. Tenho muito a agradecer ao meu marido, que me apoiou integralmente nessa decisão, e entendendo as restrições que isso traz na vida social e nos horários de lazer (fica bastante complicado fazer passeios longos nos meses iniciais, em que as ordenhas são mais frequentes).
  1. Entre em um grupo de apoio: é bom desabafar, ouvir ou ler histórias de pessoas que estão passando por situações parecidas que a sua. Encontrar o grupo “Exclusively Pumping for Cleft Cuties” foi uma tábua de salvação, pois lá encontrei apoio, acolhida, e respostas para muitas dúvidas e angústias, não só sobre produzir e ordenhar leite materno, mas também sobre as cirurgias, pós-operatório, alimentação, sentimentos de culpa e fracasso… Quantas vezes, após ordenhar leite às 3 da manhã, me sentindo miserável, entrei no grupo e lia o post de outra mãe: estou tirando leite de madrugada, todos em casa estão dormindo, me sinto só e exausta” e também via as respostas: “você não está só, também estou acordada tirando leite”, ou “Aguente firme, Mamãe! Você está fazendo um excelente trabalho!”. Eu também fiz amizade com uma mãe brasileira que mora no Paraguai, e que também tira leite, nós damos apoio moral uma a outra por Whatsapp, trocamos dicas sobre tirar leite e também sobre os cuidados e tratamentos dos nossos bebês.

O texto foi longo, e espero que possa ajudar quem quiser trilhar a jornada de EPing (Exclusively Pumping Mom). Coloco-me à disposição para esclarecer dúvidas e dar apoio, meu email é: cristina.lui@bol.com.br

Um grande abraço,

Cristina

Jundiaí, 16/10/2015.

Fonte de pesquisa:

http://kellymom.com/mother2mother/exclusive-pumping/

http://www.exclusivelypumping.com (eu comprei o livro na versão Kindle, da autora Stephanie Casemore, e encontrei dicas utilíssimas. Infelizmente, só está disponível em inglês)

Facebook: procurar pela comunidade privada Exclusively Pumping for Cleft Cuties

NOTA de As Fissuradas: A Cristina entrou em contato conosco para compartilhar tanto dela, de sua experiência na ordenha do leite materno, as informações que coletou sobre este assunto e, muito mais, a Cristina entrou em contato conosco para compartilhar AMOR!

O nosso profundo e sincero agradecimento!!!

Receber a notícia, dar a notícia: um momento especial!

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Caetano, Bento e Luiza <3

Receber e dar o diagnóstico de fissura pode ser vivido como uma experiência intima e respeitosa ou como uma experiência abrupta e ríspida. A forma como será realizada poderá indicar o caminho que será trilhado por familiares e profissionais por toda caminhada da reabilitação.

Inúmeros são os depoimentos e comentários sobre o momento da descoberta, chamei este momento de a “surpresa do inesperado”. Algumas famílias vivem este inesperado durante uma ecografia, outros vivem na hora do parto, mas todos sempre comentam sobre a intensidade dos sentimentos experimentados.

Evidentemente que receber a notícia, interrompe um processo ilusório natural de construção do bebê ideal na mente da família. Todos nós idealizamos os bebês e teremos que aprender a conviver com um filho real quando este finalmente nasce. Este processo ocorre com todos os pais que esperam um bebê com ou sem fissura. Mas quando se recebe um diagnóstico o processo de desilusão ocorre numa potência alta e de forma impactante, podemos experimentar a sensação de ser jogado no vácuo.

Outro dia uma mãe espontaneamente comentou que soube da fissura exatamente na hora do parto. Ela ficou muda, não foi capaz de dizer uma só palavra por um dia inteiro. Sua experiência foi de choque. Ela necessitou de um tempo para absorver e se reorganizar, necessitou de seu próprio tempo.

Independente do momento e do local onde recebemos a notícia e vivemos esta “surpresa”, necessitaremos de um tempo para repensar nossos projetos e sonhos. Então é muito importante a sensibilidade, a empatia e o respeito de quem está a nossa volta, principalmente dos profissionais de saúde que geralmente irão fazer este comunicado.

Infelizmente sabemos que este processo de dar e receber a notícia pode ser vivido drasticamente. São inúmeros os relatos de experiências abruptas ou disruptivas. Nesta experiência, a vivência de vácuo é ainda maior e a angústia pode ser avassaladora. Então receber todo o apoio é fundamental e será decisivo para o vínculo entre mãe, bebê, pai e família.

O apoio aqui não se trata de utilizar palavras prontas sobre “como tudo irá dar certo”, mas estar ali de verdade, respeitando o tempo que cada pessoa tem para viver e sentir.

Algumas pessoas, inclusive profissionais de saúde, podem cair na fuga de imediatamente indicar uma solução, tanto concreta como por exemplo procedimentos técnicos, como também soluções emocionais. A intenção é que tudo aquilo que está sendo sentido deverá desaparecer, não deverá ser sentido mais daquela forma. A “solução mágica” é eliminar todo o medo, frustração, desilusão e angústia rapidamente. Deste modo, seria equivalente a encaminhar para uma anestesia de emoções, “você não deve/pode sentir-se assim”.

Claro que todas essas reações em busca da eliminação imediata do sentimento, podem ser uma defesa psicológica frente a exposição do emocional em “carne viva”. Contudo podemos desenvolver nossa capacidade de absorver, processar e reorganizar os sentimento e pensamentos. É importante acreditar nesta capacidade, neste potencial humano e se desenvolver.

E assim após o contato direto com o extremo destes sentimentos, poderemos e iremos recuperar o folego. Estaremos mais aptos a viver tudo que a maternidade e paternidade é, ou seja, uma vivência repleta de supressas, aprendizados e transformações.

Mas gostaria de colocar no nosso horizonte ainda mais uma ideia. A de que viver tudo isso, com sinceridade e verdade poderá ser um momento ímpar de intimidade.

Dentro de um trabalho emocional que requer tempo e disponibilidade interior, ou seja, sem pressa e com respeito, numa aliança sincera firmada na verdade, cuidado e ética poderemos viver esta intimidade e ninguém sairá imune. Sairá mais enriquecido!

Procure ajuda caso esteja com dificuldade em contar a seus familiares sobre a fissura, procure orientação e troca de experiência com colegas se você for um profissional de saúde.

Este é um momento especial, único e decisivo.

Grande abraço.

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga CRP 07/08159

 

 

 

A beleza a mais que nós temos

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Uma ideia veio e pousou na minha mente quando li o comentário de uma jovem sobre sua fissura. Ela dizia que a cicatriz é uma “beleza a mais que ela tem” reconhecida inclusive por várias pessoas.

A beleza é um termo muito usado para questões estéticas, mas tanto beleza quanto estética vão além, realmente muito além, do físico, do visual ou da imagem. Podemos encontrar no dicionário colocações sobre beleza como qualidade, propriedade, caráter ou virtude do que é belo, ou ainda descrito como caráter do ser ou da coisa, que desperta sentimentos de êxtase e admiração.

Então fica evidente que esta ideia de “beleza a mais” diz muito e logo percebemos a relação entre admiração e ao belo. Podemos nos perguntar então, existe beleza numa cicatriz?

Quando somos impactados pelo inesperado e recebemos a notícia da fissura, um grande trabalho psíquico inicia-se. Somos chamados a elaborar nossas ideias, superar a surpresa e procurar ajuda. Enfrentamos o medo, a dor, a angústia, mas também a esperança e alívio.

Assim surgem as primeiras cicatrizes. Algo que estava solto e sem sentido entra em conexão, criamos outros significados para nossas ações e buscamos alternativas. A cicatriz, marca visível de superação e enfrentamento, também é marca de um caminho percorrido e torna-se um capítulo de uma história de vida que está ali, claramente expressa.

E sobre histórias é bom lembrar o quanto elas são importantes. Necessitamos de histórias para alma, como de alimento para o corpo. Elas sustentam os fatos são elos encadeados de vivências e criam possibilidades de novos desfechos. As histórias de superação alimentam nossos corações e fornecem energia para ir adiante, principalmente, histórias verdadeiras de gente real.

Acredito que algumas pessoas tenham a sensibilidade de expressar toda sua admiração ao se deparar com a cicatriz da fissura, outras talvez não. Então algumas percebem em um instante que ocorreu uma batalha e que foram superadas várias dores e desilusões, mas que tudo foi possível de ser reparado e ir adiante.

Assim a admiração cria a beleza.

A beleza desta cicatriz, “uma beleza a mais” combina muito bem com uma ideia de Thomas Merton bastante difundida por Steven Dubner, palestrante e fundador da ADD – Associação Desportiva para Deficientes.

Ele coloca que a “ distância mais longa é entre a cabeça e o coração” e exemplifica relacionando com atletas olímpicos e paralimpicos.

Steven Dubner diz em um artigo na sua revista:

“Você pode ter certeza que a maior distância não é a percorrida em uma Maratona com 42 quilômetros ou a de um Ironman que faz 3.8 km de natação, mais 180,2 km de ciclismo e mais 42,2 km de corrida. Ou até mesmo a Caminhada de Compostela (algo em torno de 850 km). A distância mais longa é entre a cabeça e o coração. Parece absurdamente simples e quando você realmente entender é fatal, é como se fosse um “click” tudo se encaixa. É um grito que desperta para as infinitas possibilidades do que cada ser humano pode vir a ser. Pode começar pelo modo como você encara o mundo. http://www.parasports.com.br/revistas

Revista Parasports.Edição Nro 1. Outubro/Novembro 2013

Desta forma a superação diária de várias pessoas em diversas situações de vida nos encanta.

Não se surpreenda com pessoas que admirem sua cicatriz, elas certamente conseguem ver além. Veem o que é possível ser realizado e que a decisão foi sua de ir em frente. Ser o que quiser ser.

Qual sua opinião? Conte-me!

Grande abraço

Cristiane de Paula Vieira – Psicóloga

CRP 07/08159

A aquisição da linguagem e da fala das crianças – Desenvolvimento do bebê até 6 anos

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Com a chegada do bebê com fissura labiopalatina, surgem muitas dúvidas em relação ao desenvolvimento de sua fala:

“O bebê com fissura labiopalatina vai aprender a falar?”

SIM!! A aquisição da linguagem, responsável por aprender os nomes das coisas é dependente de uma boa condição cerebral e das vias auditivas (responsáveis pela chegada de grande parte das informações que nos cercam).

Um sorriso, o balbucio, as primeiras palavras com significado, todo o seu desenvolvimento diário é fonte de alegria sem fim e também um indicador de como está ocorrendo o desenvolvimento da fala e da linguagem desta criança. Estas etapas são fundamentais para que fale corretamente no tempo esperado (a partir de 18 meses de idade, época em que a maioria dos cirurgiões realizam a palatoplastia, exatamente por sabermos que a partir desta idade o numero de palavras e a intenção comunicativa aumenta significativamente.

Para compreendermos melhor como acontece este encantador processo de desenvolvimento da fala, vamos explicar a diferença entre linguagem e fala.

Linguagem

A linguagem é a capacidade de produzir e compreender os conceitos usados na comunicação. Por exemplo, ao ver a fotografia de um cachorro, graças às habilidades da linguagem a criança que já tenha tido uma experiência prévia com um cãozinho terá o acesso à memória desta vivência, assim como de outras informações que foram armazenadas a partir da mesma, como “é um bichinho”, faz “au au”, e tantas outras mais.

Fala

Já o ato de falar consiste em uma ação motora, por meio da qual expressamos nossos pensamentos e sentimentos. O ato de falar depende tanto de adequadas condições do Sistema Nervoso (cérebro e nervos), como também das estruturas da boca (palato, língua e dentes) e pregas vocais (responsáveis pela produção da voz).

Sabendo o que é linguagem, o próximo passo é conhecermos os indicativos de normalidade. Então, apresento os principais sinais a serem observados, de acordo com a idade da criança, independente se ela tem fissura labiopalatina ou não, lembrando que estas idades são referencias que podem ter pequenas variações.

Etapas do desenvolvimento da fala e da linguagem do bebê até 6 anos de idade

Até o 4o mês:

A partir da terceira semana, o choro do bebê começa a se diferenciar de acordo com suas necessidades (fome, dor, sono, etc).

Ao passar dos meses, observamos que a criança começa a interagir mais, prestando atenção aos sons, acalmando-se ao ouvir voz da mãe, sorrindo ao interagir com outras crianças ou adultos.

Dos 2 aos 4 meses durante o momentos de interação com o papai e a mamãe a criança responde à este momento de diálogo emitindo vocalizações, como “Aaaahhh”.

Do 4o ao 6o mês:

A partir do 4o mês de vida, observamos o balbucio, que nada mais é do que o brincar da criança com a voz, dando entonações e intensidades variadas às vocalizações já produzidas.

Do 6o mês ao 1o ano:

Em uma evolução, o brincar com a voz passa a ter a movimentação constate dos órgãos responsáveis pela produção das consoantes (lábios, língua e palato). O bebê começa a produzir não só vogais, mas também algumas sequências de consoantes e vogais (ainda sem o significado) como “angu” e “mamamama”.

Quanto à compreensão, podemos observar que a criança já responde quando é chamada pelo nome, sabe o significado de expressões simples como “não”, “tchau”, “dá”, “vem”, até ordens curtas, como “me dá a bola”.

De 1 a 2 anos:

Completando o primeiro ano de vida, surgem as primeiras palavras com significado. Geralmente são “mamãe” ou “papai” tanto pelo peso desta informação na vida do bebê quanto pelo falo de ambas serem formadas por consoantes cujos sons (fonemas) são de fácil produção.

Nesta idade a criança encontra-se em fase de aquisição de vocabulário, sendo mais acentuada a partir dos 18 meses. É a fase “esponjinha”, em que muito do que ouve ela aprende a falar. Ela já compreende o significado de diversos nomes (de pessoas, objetos e verbos) e consegue manter pequenos diálogos.

Vale lembrar que nesta fase de aquisição é comum que a criança fale as palavras erradas, pois ela ainda não aprendeu todos os sons das consoantes. Assim, neste período devemos nos atentar ao número de palavras que ela sabe, não tanto ao como ela fala.

Dos 2 aos 3 anos:

Neste período ocorre um importante aumento do vocabulário. Com cerca de 200 a 400 palavras, a criança começa a se expressar a partir de frases com 3 a 4 palavras. Por exemplo: “qué comer não” ou “brincá bola vamu?”.

Já consegue contar pequenas histórias, com a ajuda de um adulto, bem como representar suas atividades diárias em brincadeiras com bonecos e de “casinha”.

Dos 3 aos 4 anos:

Seu vocabulário está ainda maior (com até 600 palavras). Assim, já é possível observamos o uso de preposições (ex. em cima, com e atrás), plural, sentimentos e frases longas (até 6 palavras) no presente, passado e futuro. Mantém um diálogo sem dificuldades, e as histórias que conta têm mais detalhes. Apesar de ter ainda algumas trocas de letras, sua fala é facilmente compreendida.

Dos 4 aos 5 anos:

Já conta histórias sem a ajuda do adulto ou de figuras. Usa com facilidade frases maiores, com adequada noção de tempo e condições (“eu só vou brincar se for de carrinho”). Ainda apresenta dificuldade na flexão verbal em alguns momentos, mas é facilmente compreendida pois fala praticamente todos os fonemas.

Abaixo, uma referência do que esperar quanto à produção dos fonemas, de acordo com a idade, segundo Wertzner, 2000.

IDADE FONEMAS referente às letras
3 anos p, t, k, b, d, g,

f, s, x, v, z, j,

l, r (arara)

m, n, nh

4 anos lh, s (ao final da sílaba ex, pasta, festa)
4 – 5 anos r em encontro consonantal (ex. Prego, frio)
4 – 6,6 anos l em encontro consonantal (ex. planta, clube)
5,6 anos R (ao final da sílaba ex, carta, perto)

Esta tabela deve ser consultada como uma referência, não uma regra! Casos que se distanciem das idades apresentadas devem procurar uma avaliação fonoaudiológica completa, pois diversos fatores podem levar a um atraso na aquisição dos sons da fala. Nos casos dos bebês com a fenda palatina, pode ser um alerta para uma investigação mais aprofundada dos ouvidos e audição do bebê. Verificar se ele está com otite e se esta está prejudicando sua audição é importante para compreendermos os motivos do atraso de linguagem, como a Dra Ema Yonehara explicou em seu artigo “Otite: não tem que doer para ter!!”.

Observo também que muitas vezes a superproteção e um ambiente pouco desafiador para esta criança também podem limitar o desenvolvimento da linguagem da criança, pois se tudo o que ela precisa ou quer chega em suas mãos em poucos segundos, ela não tem a necessidade de falar, ficando mais quieta e usando os gestos com maior frequência.

Para estes casos em que a criança está demorando para aprender a falar, pequenos ajustes na rotina e no brincar da criança podem promover importante avanço no desenvolvimento da linguagem. Em nosso próximo artigo vamos falar sobre estratégias que as famílias podem fazer em casa para estimular a linguagem e também a fala correta da criança com fissura labiopalatina.

Enquanto isso, se quiserem ler mais sobre o assunto, sugiro a visita ao Portal dos Bebês, elaborado por professores e alunos de Fonoaudiologia e Odontologia da USP. (http://portaldosbebes.fob.usp.br/)

Abraços,

Daniela Barbosa

Fonoaudióloga da rede As Fissuradas

Quando iniciar a higiene oral nos bebês?

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A higiene oral no recém-nascido e bebês sem dentes tem a finalidade de manter a boca limpa, ou seja, sem restos alimentares ou de leite. Como não tem dente, não há risco de ter cárie, sendo assim, a frequência será conforme a necessidade.

De acordo com alguns estudos, para o bebê que tem aleitamento materno exclusivo (seja no peito ou na mamadeira), a higienização oral não precisa ser tão excessiva, uma vez que o leite materno protege a boca do recém-nascido.

Antes do primeiro dentinho nascer, orientamos higienizar a gengiva e língua com uma gaze ou ponta da fralda enrolada no dedo indicador, umedecida em água filtrada para ficar mais macia. Essa limpeza pode ser iniciada já no recém-nascido, tenha cuidado para não colocar o dedo na parte posterior da língua para não causar náusea no bebê.

Assim que o primeiro dentinho aparecer na boca essa limpeza deverá ser diária pois tendo dente, pode ter cárie! Após a refeição, inicia-se a formação da placa bacteriana, bactérias começam a aderir nos dentes, podendo assim causar cáries e outros problemas bucais, portanto a escovação diária inibirá sua ação, se possível realizar mais de uma vez ao dia, principalmente para dormir. Continua da mesma forma com a gaze ou fralda, limpando bem o dentinho, gengiva e língua.

A escovação terá início quando houver vários dentes na boca, o que dificulta realizar a higiene com gaze ou fralda e, por volta de 1 ano e meio de idade, quando nascer o primeiro molar de leite (dente de trás, mais redondinho e maior), a escovação deverá ser exclusiva. Nesta idade, a gaze e fralda se tornam ineficazes, pois há necessidade das cerdas para limpar os sulcos e reentrâncias que têm nesses dentes. Junto com a escova, inicia o uso do creme dental com flúor, sempre em pequena quantidade (equivalente a um grão de arroz ).

Para o dente próximo à região da fissura, a limpeza se faz normalmente, não se preocupe pois não causará dor ou incômodo a criança.

A higiene bucal é um hábito que deve fazer parte da rotina de todos nós!

Ilka Rojas Soares

Odontopediatra

Otite: não tem que doer pra ter!

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Muitas das Mães Fissuradas já sofreram muito com problemas de ouvido de seus filhos…

Mas qual a ligação do ouvido com a fissura palatina?

O ouvido possui um canal de ligação com o nariz e a garganta, chama-se tuba auditiva. Ela ajuda na circulação adequada de ar dentro do ouvido. O palato ajuda essa tuba auditiva a ficar mais esticadinha, fazendo com que ela funcione melhor.

Quando há algum problema no palato (como a fenda palatina), a tuba não consegue funcionar bem, o que altera a quantidade de ar e pressão dentro do ouvido. Então, começa a acumular líquido dentro dele, e, quando este permanece por muito tempo, ocorre o que chamamos de Otite Média de Efusão ou Otite Média Serosa.

O processo ocorre de forma lenta, e por isso, muitas vezes, a criança nem percebe, não sente dor. A queixa mais comum da criança é de sentir o ouvido tapado, ou de não estar escutando bem, ou, quando bebês, colocar a mão no ouvido frequentemente. A dor costuma aparecer somente quando ocorre uma infecção desse líquido que está parado há muito tempo, por uma gripe, um resfriado, uma sinusite, por refluxo gastro-esofágico, ou outros problemas.

A presença do líquido no ouvido pode piorar a audição da criança, comprometendo seu desenvolvimento da linguagem, aprendizado e rendimento escolar. Além disso, facilita a ter mais infecções no ouvido.

Assim, a criança pode ter um problema de ouvido, mesmo sem se queixar de dor! Problemas na escola, distração, falar alto, sensação de ouvido entupido, bebê ficar mais quietinho, mãos aos ouvidos constantemente, choro cuja causa não é identificada… tudo isso pode ser um sinal de que o ouvido do seu filho não está bem. Por isso, Mamães Fissuradas, levem seu filho ao otorrinolaringologista rotineiramente, para que ele possa detectar qualquer problema o quanto antes!

Ema Yonehara

Otorrinolarignologista

Os sorrisos que iluminam. Por que falamos tanto no sorrir?

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A resposta talvez pareça obvia, sorrir é uma capacidade necessária é um gesto agradável e afetivo.  Está presente nos contatos sociais e representa uma atitude comunicativa. Sendo assim o sorriso iluminado representa muito para quem convive com a Fissura Labiopalatina.

Logo que você recebeu a surpreendente notícia que seu bebê terá fissura, após o impacto desta surpresa e de pensar em tantos porquês, buscará por informações e tratamentos.

Vocês irão saber tudo sobre o que está disponível e conhecerão o caminho do tratamento que inclui consultas com médicos, cirurgião, dentista, fonoaudiólogo, psicólogo enfim, uma grande equipe interdisciplinar.

Talvez no início desta caminhada, o seu coração poderá estar cheio de dúvidas e medos e pensará mais na fissura do que no sorriso. Pode até esquecer de sorrir por um tempo. Mas logo, logo perceberá os tantos motivos que tem para sorrir!

Sem dúvida que os benefícios das cirurgias e tratamentos corretivos ampliarão e reabilitarão a função de comer, falar e sorrir, porém, quero convidar a pensar sobre os amplos aspectos desta reabilitação.

O sorrir que aqui se coloca retrata a possibilidade de expressar uma emoção, ou melhor, vários sentimentos. É um gesto espontâneo que vem da alma. É a ação que pode unir o olhar, a mente e conectar as pessoas. Por isso sorrir também é acreditar. Sempre sorrimos para alguém.

O olhar cumplice, o companheiro inseparável do sorriso sem vergonha, dará forças para enfrentar os desafios.

É assim que pais entregarão seus pequenos para a primeira, segunda e tantas outras cirurgias e procedimentos. Cheios de receios e de esperanças.

Certamente, alguém lhe sorrirá e dividirá suas experiências, contará suas histórias, mostrará suas fotos e então trocarão temores, olhares e sorrisos sinceros.

Cada passo dessa caminhada será uma conquista. Cada uma terá um sabor especial. Os pais depositarão sua confiança na equipe, no médico, no hospital, na família que será seu suporte. Ninguém está sozinho! Somos uma Rede!

Os profissionais se abastecerão dos mais singelos olhares agradecidos, dos sorrisos corajosos de seus pacientes e das palavras de reconhecimento que chegarão espontaneamente. Essa é a fonte da força para seguir trabalhando, o recompensador sorriso de agradecimento. Posso confessar aqui, que isto é o melhor retorno que todo profissional recebe.

Então o que precisamos para sorrir? Uma vida onde tudo esteja exatamente no lugar, onde “tudo tenha dado certo”, onde nenhuma surpresa assustadora tenha nos visitado?

Já sabemos e sentimos que não. A vida é repleta de surpresas que estão sempre nos assustando, mesmo as aparentemente boas ou supreendentemente impensadas.

Reabilite seu sorriso antes de tudo, reabilite este gesto espontâneo dentro de você. Depois disso, todos os outros sentimentos e gestos poderão transitar e fluir naturalmente.

Quando a capacidade de sorrir sem vergonha se der, a fissura será uma cicatriz repleta de vitórias.

Grande Abraço

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga CRP 07/08159

Conversando sobre o preconceito

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Este texto nasceu de alguns posts que li sobre a angústia de algumas mães e relatos de alguns adultos sobre como viveram e vivem o preconceito sobre a Fissura Labiopalatina. Sobre a dor de ver seu filho envergonhado com comentários de colegas e de quem, com ajuda profissional, transformou tudo isso em outro sentimento, o sentimento de orgulho.

É sempre muito importante conversar com seu filho sobre as experiências vividas. Sobre o que aconteceu na escola, no restaurante, no supermercado ou no parque e de como ele vem se sentido. Não falar torna o assunto misterioso ou proibido e assim ficará mais difícil de ser compreendido.

O seu filho ou filha pode pensar que “isto é um peso para você e que já sofreu demais”. Pode pensar em poupa-los, achar que é melhor não falar sobre o que sente. Mas isso pode criar dois mundos solitários. O mundo dos pais que não sabem ou não querem falar e o mundo dos filhos, onde suas dúvidas e medos ficam guardados com eles próprios.

Não pense que há necessidade de ter a “solução” ou a resposta das respostas. Não é isto que vai aproxima-los e tornar o “time” mais forte, mas a cumplicidade de saber que se pode conversar.

Então, qual o poder desta conversar?

O poder está na intimidade, na verdade e na cumplicidade. A função da mãe, do pai, de familiares, dos educadores e de amigos é acolher e transformar. Principalmente os familiares ou pessoas afetivamente significativas.

Ao ouvir e acolher as angustias podemos transformar e devolver estes sentimentos em algo compreensivo e amoroso. Através desta postura receptiva podemos ir “metabolizando” os acontecimentos junto com a criança ou adulto. Isso torna estas vivências mais acessíveis a mente, sendo fundamental para lidar com todos os desafios que virão.

Lidar com a fissura, no aspecto psicológico, é algo que exige uma postura aberta e nisto todos saímos ganhando. É desafiador e doloroso, mas impulsiona ao crescimento.

Talvez a grande dificuldade seja a reação das outras pessoas frente a dor e ao inesperado. Algumas destas podem aprisionar-se nesta dor ou ficar tão surpreendidas que não conseguem ver as possibilidades. Nosso desafio é abrir estas perspectivas.

É aí que o seu olhar pode e faz toda diferença para seu filho. Um olhar que vê além e que vai mostrar além também.

Dizemos aos nossos filhos o que pensamos sobre eles, sobre nós e o mundo pela maneira que olhamos e agimos. É um olhar repleto de significado.

Algumas vezes podemos ter um discurso aberto, mas o olhar pode transmitir um outro sentimento. Essa coerência entre nossa fala e nosso sentimento é que seu filho vai perceber. Preste atenção nisto e pense muito como você está sentindo e vendo o seu filho.

Lembre-se que sua reação será o espelho do que aquilo significa. Mente aberta a ouvir, dividir o momento e ampliar os significados é uma poderosa arma.

Quando sofremos algum tipo de preconceito, isto também pode ser entendido como uma “visão saturada” e fechada. Precisamos então, fazer um trabalho mental e emocional sobre o assunto saturado. Qualquer um está sujeito a isto. Não só o seu pequeno, não só sobre a fissura. Este é um desafio da nossa sociedade, aprender a lidar com as diferenças e com o novo.

É preciso compreender que nem todas as pessoas saberão como reagir, isto é inevitável. Lembre-se que somos indivíduos cheio de histórias pessoais e familiares e com capacidade própria para lidar com aquilo que nos desafia.

Informe-se! Converse! Procure pessoas! Procure os grupos onde possa trocar experiências, falar das suas e ouvir histórias. Procure também um profissional da saúde emocional! Isto poderá fazer toda diferença em sua vida.

Grande Abraço

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga CRP 07/08159