Os sorrisos que iluminam. Por que falamos tanto no sorrir?

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A resposta talvez pareça obvia, sorrir é uma capacidade necessária é um gesto agradável e afetivo.  Está presente nos contatos sociais e representa uma atitude comunicativa. Sendo assim o sorriso iluminado representa muito para quem convive com a Fissura Labiopalatina.

Logo que você recebeu a surpreendente notícia que seu bebê terá fissura, após o impacto desta surpresa e de pensar em tantos porquês, buscará por informações e tratamentos.

Vocês irão saber tudo sobre o que está disponível e conhecerão o caminho do tratamento que inclui consultas com médicos, cirurgião, dentista, fonoaudiólogo, psicólogo enfim, uma grande equipe interdisciplinar.

Talvez no início desta caminhada, o seu coração poderá estar cheio de dúvidas e medos e pensará mais na fissura do que no sorriso. Pode até esquecer de sorrir por um tempo. Mas logo, logo perceberá os tantos motivos que tem para sorrir!

Sem dúvida que os benefícios das cirurgias e tratamentos corretivos ampliarão e reabilitarão a função de comer, falar e sorrir, porém, quero convidar a pensar sobre os amplos aspectos desta reabilitação.

O sorrir que aqui se coloca retrata a possibilidade de expressar uma emoção, ou melhor, vários sentimentos. É um gesto espontâneo que vem da alma. É a ação que pode unir o olhar, a mente e conectar as pessoas. Por isso sorrir também é acreditar. Sempre sorrimos para alguém.

O olhar cumplice, o companheiro inseparável do sorriso sem vergonha, dará forças para enfrentar os desafios.

É assim que pais entregarão seus pequenos para a primeira, segunda e tantas outras cirurgias e procedimentos. Cheios de receios e de esperanças.

Certamente, alguém lhe sorrirá e dividirá suas experiências, contará suas histórias, mostrará suas fotos e então trocarão temores, olhares e sorrisos sinceros.

Cada passo dessa caminhada será uma conquista. Cada uma terá um sabor especial. Os pais depositarão sua confiança na equipe, no médico, no hospital, na família que será seu suporte. Ninguém está sozinho! Somos uma Rede!

Os profissionais se abastecerão dos mais singelos olhares agradecidos, dos sorrisos corajosos de seus pacientes e das palavras de reconhecimento que chegarão espontaneamente. Essa é a fonte da força para seguir trabalhando, o recompensador sorriso de agradecimento. Posso confessar aqui, que isto é o melhor retorno que todo profissional recebe.

Então o que precisamos para sorrir? Uma vida onde tudo esteja exatamente no lugar, onde “tudo tenha dado certo”, onde nenhuma surpresa assustadora tenha nos visitado?

Já sabemos e sentimos que não. A vida é repleta de surpresas que estão sempre nos assustando, mesmo as aparentemente boas ou supreendentemente impensadas.

Reabilite seu sorriso antes de tudo, reabilite este gesto espontâneo dentro de você. Depois disso, todos os outros sentimentos e gestos poderão transitar e fluir naturalmente.

Quando a capacidade de sorrir sem vergonha se der, a fissura será uma cicatriz repleta de vitórias.

Grande Abraço

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga CRP 07/08159

Conversando sobre o preconceito

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Este texto nasceu de alguns posts que li sobre a angústia de algumas mães e relatos de alguns adultos sobre como viveram e vivem o preconceito sobre a Fissura Labiopalatina. Sobre a dor de ver seu filho envergonhado com comentários de colegas e de quem, com ajuda profissional, transformou tudo isso em outro sentimento, o sentimento de orgulho.

É sempre muito importante conversar com seu filho sobre as experiências vividas. Sobre o que aconteceu na escola, no restaurante, no supermercado ou no parque e de como ele vem se sentido. Não falar torna o assunto misterioso ou proibido e assim ficará mais difícil de ser compreendido.

O seu filho ou filha pode pensar que “isto é um peso para você e que já sofreu demais”. Pode pensar em poupa-los, achar que é melhor não falar sobre o que sente. Mas isso pode criar dois mundos solitários. O mundo dos pais que não sabem ou não querem falar e o mundo dos filhos, onde suas dúvidas e medos ficam guardados com eles próprios.

Não pense que há necessidade de ter a “solução” ou a resposta das respostas. Não é isto que vai aproxima-los e tornar o “time” mais forte, mas a cumplicidade de saber que se pode conversar.

Então, qual o poder desta conversar?

O poder está na intimidade, na verdade e na cumplicidade. A função da mãe, do pai, de familiares, dos educadores e de amigos é acolher e transformar. Principalmente os familiares ou pessoas afetivamente significativas.

Ao ouvir e acolher as angustias podemos transformar e devolver estes sentimentos em algo compreensivo e amoroso. Através desta postura receptiva podemos ir “metabolizando” os acontecimentos junto com a criança ou adulto. Isso torna estas vivências mais acessíveis a mente, sendo fundamental para lidar com todos os desafios que virão.

Lidar com a fissura, no aspecto psicológico, é algo que exige uma postura aberta e nisto todos saímos ganhando. É desafiador e doloroso, mas impulsiona ao crescimento.

Talvez a grande dificuldade seja a reação das outras pessoas frente a dor e ao inesperado. Algumas destas podem aprisionar-se nesta dor ou ficar tão surpreendidas que não conseguem ver as possibilidades. Nosso desafio é abrir estas perspectivas.

É aí que o seu olhar pode e faz toda diferença para seu filho. Um olhar que vê além e que vai mostrar além também.

Dizemos aos nossos filhos o que pensamos sobre eles, sobre nós e o mundo pela maneira que olhamos e agimos. É um olhar repleto de significado.

Algumas vezes podemos ter um discurso aberto, mas o olhar pode transmitir um outro sentimento. Essa coerência entre nossa fala e nosso sentimento é que seu filho vai perceber. Preste atenção nisto e pense muito como você está sentindo e vendo o seu filho.

Lembre-se que sua reação será o espelho do que aquilo significa. Mente aberta a ouvir, dividir o momento e ampliar os significados é uma poderosa arma.

Quando sofremos algum tipo de preconceito, isto também pode ser entendido como uma “visão saturada” e fechada. Precisamos então, fazer um trabalho mental e emocional sobre o assunto saturado. Qualquer um está sujeito a isto. Não só o seu pequeno, não só sobre a fissura. Este é um desafio da nossa sociedade, aprender a lidar com as diferenças e com o novo.

É preciso compreender que nem todas as pessoas saberão como reagir, isto é inevitável. Lembre-se que somos indivíduos cheio de histórias pessoais e familiares e com capacidade própria para lidar com aquilo que nos desafia.

Informe-se! Converse! Procure pessoas! Procure os grupos onde possa trocar experiências, falar das suas e ouvir histórias. Procure também um profissional da saúde emocional! Isto poderá fazer toda diferença em sua vida.

Grande Abraço

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga CRP 07/08159

Chegou a hora, a cirurgia está marcada! Vamos lá?

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Está chegando o momento tão esperado e ao mesmo tempo tão desafiador. Chegou o momento da cirurgia reparadora do lábio ou palato.

Você receberá várias orientações para a preparação e entre elas a substituição do uso da mamadeira para o copo/ colher. Mas, por que fazer isto agora? Por que, se ele ou ela, irá sofre na recuperação? Por que antecipar o sofrimento?

Queridos pais, em nossos corações sempre mora o desejo de proteger nossos filhos de todo e qualquer sofrimento, mas também é natural ajudar seus filhotes a crescer e ir adiante.

Todos nós, para crescermos, precisamos de estímulo e de adaptação.

Hoje, quando dedicadamente preparam seus filhos para cirurgia, estão transmitindo algo especial. Que pode ser muito difícil num primeiro momento, mas que será fundamental depois. Ensinam que podem acompanhar as mudanças, ensinam que eles têm “ferramentas” para subir novo degrau e entrar em outra fase!

Sim, ao adaptar seu filho ao copo ou mamadeira de colher, você estará auxiliando para o bom resultado da cirurgia, boa recuperação e também ensinando como enfrentar desafios no futuro. E todos sabemos que negar as mudanças ou evita-las pioram muito as coisas.

Para seu filho, ao saber que aquela mudança virá para melhor, que pode ser difícil no início, mas que será conquistada aos poucos e que você está lá para ver, fará a diferença!

Pense na situação ao contrário, você acordando de uma cirurgia e não estar preparado para alimentar-se, não entender o que está acontecendo, nem o porquê. Posso lhes dizer que a sensação de desorientação pode ser muito pior, psicologicamente, para seu filho do que o treino da mudança. É mais fácil neste momento pós cirúrgico ter algo conhecido, que já foi apresentado, treinado do que algo totalmente novo.

Claro que tudo isso será acompanhado de muita conversa. Seu pequeno ou pequena entende o que você fala. Entenderá suas palavras com seus gestos, seu afeto e seu olhar!

Lembre-se que você está preparando seu filho em todos os sentidos e psicologicamente também para o futuro.

Lembre-se que não estão sozinhos nisto! Prepare seu filho e depois nos conte como foi!

Abraços,

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga

CRP 07/08159

Dia Mundial do Aleitamento Materno

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Sobre o “mamá” de todos os dias
No Dia Mundial Do Aleitamento Materno!

1 de Agosto – Dia Mundial do Aleitamento Materno

O conhecimento sobre sua importância dá energia à mãe para insistir no aleitamento, quando tudo no início pode parecer ser tão difícil! Nestes casos, sugiro buscar ajuda e temos uma equipe na Saúde prontinha para isso: Pediatras, Enfermeiros (em especial aos atuantes nos Bancos de Leite), Nutricionistas e nós, Fonoaudiólogos.

Mas, e quando o bebê tem fissura labiopalatina?

Às mamães de bebês com fissura labial isolada (sem afetar o céu da boca), na maioria das vezes a dificuldade inicial é rapidamente solucionada com o ajuste da posição da dupla mamãe-bebê durante as mamadas.

Às mamães de bebês com fenda palatina (quando o céu da boca tem uma abertura), sabemos que a dificuldade é maior e, por vezes, necessário utilizar e adaptar utensílios, como a mamadeira. Ok, então vamos adaptar! Porque o importante é o bebê receber o leite que a mamãe tem, cheio de amor e prontinho para nutrir o pequeno! Nestes casos, uma importante alternativa para manter o aleitamento materno é realizar a ordenha de seu leite para oferecê-lo ao bebê por mamadeira (ou o utensílio que ele melhor se adaptou).

Às mamães, meus parabéns pelo dia de hoje!

Às mamães de crianças com fissura labiopalatina, meus parabéns e minha admiração, pela superação à cada mamada!

Com carinho,

Daniela Barbosa
Fonoaudióloga