Conversando sobre o preconceito

bento-asfissuradas-conversando-sobre-o-preconceito

Este texto nasceu de alguns posts que li sobre a angústia de algumas mães e relatos de alguns adultos sobre como viveram e vivem o preconceito sobre a Fissura Labiopalatina. Sobre a dor de ver seu filho envergonhado com comentários de colegas e de quem, com ajuda profissional, transformou tudo isso em outro sentimento, o sentimento de orgulho.

É sempre muito importante conversar com seu filho sobre as experiências vividas. Sobre o que aconteceu na escola, no restaurante, no supermercado ou no parque e de como ele vem se sentido. Não falar torna o assunto misterioso ou proibido e assim ficará mais difícil de ser compreendido.

O seu filho ou filha pode pensar que “isto é um peso para você e que já sofreu demais”. Pode pensar em poupa-los, achar que é melhor não falar sobre o que sente. Mas isso pode criar dois mundos solitários. O mundo dos pais que não sabem ou não querem falar e o mundo dos filhos, onde suas dúvidas e medos ficam guardados com eles próprios.

Não pense que há necessidade de ter a “solução” ou a resposta das respostas. Não é isto que vai aproxima-los e tornar o “time” mais forte, mas a cumplicidade de saber que se pode conversar.

Então, qual o poder desta conversar?

O poder está na intimidade, na verdade e na cumplicidade. A função da mãe, do pai, de familiares, dos educadores e de amigos é acolher e transformar. Principalmente os familiares ou pessoas afetivamente significativas.

Ao ouvir e acolher as angustias podemos transformar e devolver estes sentimentos em algo compreensivo e amoroso. Através desta postura receptiva podemos ir “metabolizando” os acontecimentos junto com a criança ou adulto. Isso torna estas vivências mais acessíveis a mente, sendo fundamental para lidar com todos os desafios que virão.

Lidar com a fissura, no aspecto psicológico, é algo que exige uma postura aberta e nisto todos saímos ganhando. É desafiador e doloroso, mas impulsiona ao crescimento.

Talvez a grande dificuldade seja a reação das outras pessoas frente a dor e ao inesperado. Algumas destas podem aprisionar-se nesta dor ou ficar tão surpreendidas que não conseguem ver as possibilidades. Nosso desafio é abrir estas perspectivas.

É aí que o seu olhar pode e faz toda diferença para seu filho. Um olhar que vê além e que vai mostrar além também.

Dizemos aos nossos filhos o que pensamos sobre eles, sobre nós e o mundo pela maneira que olhamos e agimos. É um olhar repleto de significado.

Algumas vezes podemos ter um discurso aberto, mas o olhar pode transmitir um outro sentimento. Essa coerência entre nossa fala e nosso sentimento é que seu filho vai perceber. Preste atenção nisto e pense muito como você está sentindo e vendo o seu filho.

Lembre-se que sua reação será o espelho do que aquilo significa. Mente aberta a ouvir, dividir o momento e ampliar os significados é uma poderosa arma.

Quando sofremos algum tipo de preconceito, isto também pode ser entendido como uma “visão saturada” e fechada. Precisamos então, fazer um trabalho mental e emocional sobre o assunto saturado. Qualquer um está sujeito a isto. Não só o seu pequeno, não só sobre a fissura. Este é um desafio da nossa sociedade, aprender a lidar com as diferenças e com o novo.

É preciso compreender que nem todas as pessoas saberão como reagir, isto é inevitável. Lembre-se que somos indivíduos cheio de histórias pessoais e familiares e com capacidade própria para lidar com aquilo que nos desafia.

Informe-se! Converse! Procure pessoas! Procure os grupos onde possa trocar experiências, falar das suas e ouvir histórias. Procure também um profissional da saúde emocional! Isto poderá fazer toda diferença em sua vida.

Grande Abraço

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga CRP 07/08159

Chegou a hora, a cirurgia está marcada! Vamos lá?

1964918_723863157697350_921110448734484536_n

Está chegando o momento tão esperado e ao mesmo tempo tão desafiador. Chegou o momento da cirurgia reparadora do lábio ou palato.

Você receberá várias orientações para a preparação e entre elas a substituição do uso da mamadeira para o copo/ colher. Mas, por que fazer isto agora? Por que, se ele ou ela, irá sofre na recuperação? Por que antecipar o sofrimento?

Queridos pais, em nossos corações sempre mora o desejo de proteger nossos filhos de todo e qualquer sofrimento, mas também é natural ajudar seus filhotes a crescer e ir adiante.

Todos nós, para crescermos, precisamos de estímulo e de adaptação.

Hoje, quando dedicadamente preparam seus filhos para cirurgia, estão transmitindo algo especial. Que pode ser muito difícil num primeiro momento, mas que será fundamental depois. Ensinam que podem acompanhar as mudanças, ensinam que eles têm “ferramentas” para subir novo degrau e entrar em outra fase!

Sim, ao adaptar seu filho ao copo ou mamadeira de colher, você estará auxiliando para o bom resultado da cirurgia, boa recuperação e também ensinando como enfrentar desafios no futuro. E todos sabemos que negar as mudanças ou evita-las pioram muito as coisas.

Para seu filho, ao saber que aquela mudança virá para melhor, que pode ser difícil no início, mas que será conquistada aos poucos e que você está lá para ver, fará a diferença!

Pense na situação ao contrário, você acordando de uma cirurgia e não estar preparado para alimentar-se, não entender o que está acontecendo, nem o porquê. Posso lhes dizer que a sensação de desorientação pode ser muito pior, psicologicamente, para seu filho do que o treino da mudança. É mais fácil neste momento pós cirúrgico ter algo conhecido, que já foi apresentado, treinado do que algo totalmente novo.

Claro que tudo isso será acompanhado de muita conversa. Seu pequeno ou pequena entende o que você fala. Entenderá suas palavras com seus gestos, seu afeto e seu olhar!

Lembre-se que você está preparando seu filho em todos os sentidos e psicologicamente também para o futuro.

Lembre-se que não estão sozinhos nisto! Prepare seu filho e depois nos conte como foi!

Abraços,

Cristiane de Paula Vieira

Psicóloga

CRP 07/08159

Tudo vai dar certo

10176244_775229489227383_3170585922438315256_n

Deise Coimbra escreveu para As fissuradas contando como tudo vai dar certo!

“Olá Mamães!! Eu sou Deise e minha bebê nasceu com fissura bilateral preforame. Hoje quero deixar a mensagem para que não fiquem tão preocupadas em como ficará a cirurgia, pois a medicina está bem avançada e os médicos são ótimos. Minha filha faz tratamento pelo SUS em Curitiba. Sua primeira cirurgia foi aos 3 meses (hoje ela tem 4 meses). A foto abaixo com duas semanas de operada. Sua recuperação foi muito tranquila, acredito que ela não sentia dor, pois não chorava e claro ficava medicada. O único trabalho que deu foi no próprio hospital quando perdeu a veia em que os medicamentos eram aplicados e aí foi um Deus nos acuda para encontrar outra. Então… calma… tudo dará certo! Abraços!!!”

Confissura: Flávinha Giffoni

flavia

A Flávinha Giffoni escreveu para As fissuradas assim:

“Olá! Me chamo Ana Flávia, tenho 27 anos e por ver muitas histórias e me emocionar bastante com cada uma delas, resolvi contar um pouquinho da minha! Quando minha mãe engravidou ela fez o pré natal todo direitinho, foram 9 meses de espera e alegria. Já pertinho de completar os 9 meses em uma última ultra, o ginecologista detectou uma mancha na minha cabeça. Não sabiam a causa e nem o por que. Minha mãe continuou com a gravidez e quando eu nasci veio o diagnóstico. Eu tinha Hidrocefalia. O que pode vir associada com alguma síndrome, no meu caso a de Coen – que consiste em afastamento nos olhos. Com 2 dias de nascida fizeram a cirurgia e colocaram minha válvula e correu tudo bem.

Com 2 anos fui submetida a outra cirurgia, essa para tentar fazer com que meus olhos fossem colocados mais no canto correto e por erro médico nada aconteceu. Ficou tudo do mesmo jeito. Foram anos de preconceitos e de muita luta junto com minha família. Eu também nasci com fenda palatina, que logo veio a fechar sozinha pois era muito pequenininha quase imperceptível. Em 1997 fui apresentada a Operação Sorriso do Brasil e graças a essa ONG pude voltar a sorrir novamente. Eles se interessaram pelo meu caso e resolveram fazer de tudo para devolver meu sorriso, pois tinha desaparecido por conta de muito preconceito sofrido na época de criança e adolescente no colégio.

A Operação Sorriso fez a cirurgia de reparação no meu rosto e meu olho foi para o local correto. Fizeram mais 3 cirurgias sendo 2 plásticas e 1 para tirar os desvios do meu nariz. Hoje em dia sou muito feliz em ter sido acompanhada pela Operação Sorriso e sou muito grata à Deus por hoje ser estudante de Publicidade e Propaganda cursando o 7 semestre. Eu me orgulho mais ainda de ser Fotografa Profissional, atualmente moro em São Paulo sozinha pois trabalho em um estúdio aqui e faço faculdade de fotografia aqui também.

Gosto muito da página de vocês e espero que minha história seja postada não no intuito de sentirem pena de tudo o que eu passei porque odeio quem diz que tem pena de mim. Mas pra mostrar que quando você quer e quando você tem uma família que lhe encoraja e não te deixa abaixar a cabeça você LEVANTA, SACODE A POEIRA E DAR A VOLTA POR CIMA.”

Confissura: Jéssica Caroline

10409531_743159505767715_4202823406017496296_n

Essa é a Jéssica Caroline. Ela nos escreveu uma mensagem linda que a gente compartilha com vocês:

“Gostaria de compartilhar um pouco da minha história também, pois vi muitos depoimentos edificantes e espero poder ajudar com minhas experiências! Tenho 19 e as coisas nem sempre foram só flores na minha vida. Na minha infância sofri com o preconceito, já me perguntei diversas vezes: “por que?”, por que eu? Por que tem que ser assim? Logo comigo?

Mas desde pequena aprendi que todos são diferentes e que é exatamente isso que faz com que possamos nos amar, por encontrarmos nos outros o que não achamos em nós! Meu maior apoio sem dúvida veio da minha família, dos meus pais, que sempre me amaram incondicionalmente, sou muito grata por isso, por mesmo vindo a terra com um “defeito” vim na família certa, que me amou desde o primeiro minuto!

Sei que pessoas assim como eu vêm à terra para fazer a diferença na vida das pessoas, principalmente dos pais, trazendo amor e união! Estou em tratamento ainda, mas hoje me sinto muito mais feliz e confiante, sei que tenho pessoas que me amam e me amarão independente de qualquer coisa, me amam do jeito que eu sou e sou feliz por me amar assim também!!!”

O nascimento de Sophia

10403240_736915549725444_5418606291566499782_n

Reinaldo Cavalcanti escreveu para As Fissuradas pra contar que ela nasceu!!! Ela – o novo amor da vida dele

“Oi pessoal, só estou passando aqui rapidinho pra avisar que a Sophia nasceu! 2,780kg e 45 cm! Super saudável! Mamãe Vanessa Chiarelli está muito bem, também! A Sophia nasceu com fissura bilateral e fissura palatal, como já era esperado pelo ultrassom. Estamos RADIANTE de felicidade e não vemos a hora de apresentá-la ao pessoal do CEFIL! Tenho certeza que será o início de uma grande e longa amizade!”

Viva! Seja bem-vinda Sophia!!!

O sorriso de Mariah

foto

Ellen Farias escreveu para As Fissuradas contando da sua mais nova paixão. E nós desejamos só o que há de bom para esta família!
“Essa é a minha filha o nome dela é Mariah, descobrimos que ela tinha fissura labial e do palato na ultrasonografia morfológica tive muito medo de como seria… Mas o sorriso dela me deixa cada dia mais apaixonada. A cirurgia dela vai ser dia 07/11”.

Força, paciência, fé e muito amor. No dia 07 estaremos juntas!!!

Confissura: Nathalia e Isaac

10473734_727557240661275_9200304901138247181_n

Gostaria de deixar meu depoimento para que, quem sabe possa ajudar alguma mãezinha que como eu, um dia, precisei de muito apoio…
Meu nome é Nathalia, tenho um filho fissurado. O nome dele é Isaac e hoje esta com 4 anos!
Quando engravidei, estava em uma fase complicada de minha vida, por isso tive muitos problemas de aceitamento… A gestação toda foi bem complicadinha… mas quando vi meu filho pela primeira vez, tudo mudou em minha vida! Foi amor a primeira vista!
Horas depois de o Isaac ter nascido veio à notícia: meu filho tinha fenda palatina.
Fechei-me para o mundo, não queria saber se existiam problemas piores que os meus…. fui tão egoísta…
Na hora meu mundo desabou, pois fiz um bom acompanhamento gestacional, tomei todas as vitaminas necessárias, em todos os exames mostravam o Isaac com a saúde ótima….
Não entendia como isso podia ter acontecido….
Começaram então infinitas pesquisas sobre o assunto…. e nenhuma resposta das minhas pesquisar satisfaziam a minha pergunta: Por que?
O tempo foi passando, tive alguns contratempos com o meu Zaza… Umas três vezes pensei que ia perdê-lo, pois ele se sufocava com o leite que voltava pela boca e pelo nariz ao mesmo tempo…. Mas graças a Deus tivemos ajuda de uma pediatra maravilhosa que nos ensinou a agir em momentos como esses…
Fomos ao Centrinho de Bauru algumas vezes, e lá pude ver para tudo tem jeito e que o “pequeno” problema do meu filho, não era nada comparado a muitos outros que existem por ai…
Com 1 ano e quatro dias o Isaac operou! Ficou certinho o céu da boca dele!
Em setembro do ano passado colocou “tubinhos” nos ouvidos.
Hoje meu filho é meu orgulho, Deus não poderia me presenteado de melhor forma como esse meninão que cresce esperto e inteligente a cada dia!
Mães, espero poder ter contribuído para a vida de vcs com esse depoimento, pois sei que existem momentos tão difíceis em nossas vidas…. Mas que Deus não nos abandona e nem desampara!